CIDADES DO INTERIOR SUPERAM CAPITAIS EM TRANSAÇÕES COM CARTÕES DE CRÉDITO

Nos últimos 10 anos, a participação de cidades do interior no número de transações por meios eletrônicos superou a das capitais brasileiras. Em 2008, as capitais eram responsáveis por 56% contra 44% do interior, participações que passaram para 45,7% e 54,3%, respectivamente, em 2018. “Esse movimento também aconteceu no Nordeste, onde aumentou a digitalização em cidades do interior”, disse o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito (Abecs), Pedro Coutinho.


No ano passado, as cidades do interior superaram os pagamentos das capitais tanto na modalidade de cartão de crédito, com 51,3% de participação, como na de cartão de débito, com 58,3% de participação.

No Nordeste, as operações com cartão de crédito e débito somaram R$ 204 bilhões em 2018, representando um avanço de 14,2% em relação ao volume de 2017 (R$ 178 bilhões). A alta é quase dois pontos percentuais acima do crescimento obtido em 2017 (12,5%). Assim, no ano passado, o Nordeste foi responsável por 13,1% das transações do País (R$ 1,55 trilhão).

Considerando apenas as transações com cartão de crédito, o Nordeste apresentou o menor crescimento anual nos pagamentos entre as cinco regiões, representando 12,3%. Por outro lado, as compras com cartão de débito na Região avançaram 16,8%, atrás apenas do Norte (17,5%).

Projeções

Os dados foram apresentados ontem (26), na convenção anual da Abecs. Para este ano, a entidade projeta um crescimento de 16% dos pagamentos com cartão, totalizando R$ 1,8% trilhão. Segundo o presidente da Abecs, a meta é ampliar a participação dos meios eletrônicos de pagamento para que, até 2022, 60% das compras das famílias brasileiras sejam feitas no cartão. Hoje, essa participação está em 38,3%. “95% dos brasileiros usam o cartão pelo menos uma vez por mês”, disse Pedro.

Custo de crédito

Com a taxa básica de juros (Selic) nos menores patamares da história, Coutinho diz que a indústria de pagamento eletrônico do País tem hoje uma grande oportunidade de crescimento em decorrência da redução do custo de crédito. Sobre o crédito rotativo, no entanto, que tem as maiores taxas de juros, ele destaca que a modalidade representa apenas 0,8% das transações entre os brasileiros.

“A indústria está mais saudável porque estamos com a menor taxa de juros da história”, disse Coutinho. Ele diz, porém, que a tendência, assim como ocorre em outros países, é que a taxa de juros seja definida de acordo com o histórico de pagamento do consumidor, agora possível com a adesão ao “cadastro positivo”, o que reduziria o risco de calote para a instituição. 

“O consumidor hoje não é o mesmo de quatro anos atrás. A inadimplência vem caindo”, diz Coutinho. “E o rotativo, que ainda é o patinho feio, representa menos de 1% dos pagamentos”. Além disso, o presidente da Abecs acredita que a concorrência de mais operadoras de cartão deverá baixar ainda mais os custos, com redução de taxas.
Em 2018, foram feitas 18,8 bilhões de transações de pagamento eletrônico, ou 35,8 mil transações por minuto, o que representa um crescimento de 15,5% ante 2017. Deste total, 9,4 bilhões no cartão de crédito, 9,3 bilhões do cartão de débito e 180,1 milhões em cartão pré-pago.
*O jornalista viajou a convite da Abecs.

DN

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