BORRACHEIRO QUE PASSOU QUASE CINCO ANOS PRESO INJUSTAMENTE CONTA O QUE ENFRENTOU NA PRISÃO

Em entrevista exclusiva concedida ao Fantástico, Antônio Cláudio e os parentes detalharam toda a luta enfrentada durante anos. Enquanto do lado de fora, pais, irmã e noiva buscavam as autoridades para provar a inocência de Castro, ele, lá dentro, percebia que estava em um local abandonado pelo Poder Público e cercado por pessoas que “de monstros” passaram a ser considerados por ele como sua nova família.

“Eu vi pessoas sofrendo junto do meu lado dizendo: Cláudio, eu vou botar a corda no pescoço. Eu não aguento mais, meu amigo. E eu dizia: calma macho, segura só um pouquinho que eu sofro igual a ti e olha que tu nem me conhece, tu não sabe nada da minha vida. Queria que as pessoas olhassem mais para os que estão lá dentro, eles não são esses monstros que todo mundo fala. Eles só precisam de uma oportunidade, entendeu?”, disse o borracheiro.

O pouco tempo desde a soltura depois dos milhares de dias vividos por Antônio Cláudio dentro do presídio faz com que cada memória ruim ainda esteja forte na mente do inocente. Ele lembra dos piores momentos ao decorrer dos cinco anos. Foi em 2017 que Cláudio chegou a 'ver a morte de perto' e precisou lutar para permanecer vivo, mesmo estando sob a proteção do Estado.



“Na rebelião da CPPL 3 fiquei com meus colegas lutando para não ferir ninguém e nem ser ferido. Teve um amigo meu que dizia assim: Cláudio, manda um abraço pra minha esposa, manda um abraço pro meu filho, porque eu não sei se eu vou viver. A gente gritava e a gente ouvia os gritos dele, mas eu não podia fazer nada porque ele estava na enfermaria e estava tudo quebrando. Ainda tinham uns outros irmãos para salvar do outro lado. Meu papel lá era ser a formiga. Eu fui o cara que ganhou o respeito deles lá dentro sendo essa pessoa que eu sou”, lembrou.

Por ter sido condenado indevidamente pelo crime de estupro de vulnerável, o borracheiro afirmou que chegou à unidade prisional já correndo risco de vida, devido à ser comum outros presos quererem vingar vítimas de estupro. Antônio conta que se surpreendeu com o respeito dos colegas de cela. Segundo ele, os outros presos diziam o admirar pela força na busca por Justiça.

“Nem tudo é do jeito que todo mundo vê ou pensa né. Eles me respeitavam. Nessa rebelião vi a morte frente a frente e fiquei desesperado. A cadeia quebrando, pegando fogo, olhava para um lado e para o outro e não tinha para onde correr. Estava encurralado vendo os senhores de idade chorando e as pessoas me abraçando”, acrescentou.

Recomeço

Para a família de Antônio Cláudio, os anos de esforços concentrados em prol de provar a inocência do homem foram compensados com a soltura. José Joaquim de Castro, pai do borracheiro, disse que ver o filho de volta em casa reunido com a família era tudo que ele mais desejava: “vamos levantar a cabeça e começar a vida de novo”. Antônia Barbosa de Castro, mãe do inocente, agradece a Deus por ter suportado o tempo longe e conseguir voltar a encontrar o filho com saúde.

DN

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