GOLPE NO MINHA CASA MINHA VIDA FAZ MAIS DE 2 MIL VÍTIMAS, INCLUSIVE POLICIAIS

O sonho da casa própria adiado e ainda um prejuízo financeiro. Esta é a situação de mais de 2 mil pessoas em Fortaleza, que foram vítimas do golpe ao Minha Casa Minha Vida (MCMV) cometido pela Associação Realizando Sonhos, segundo o titular da Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF), da Polícia Civil, delegado Jaime de Paula Pessoa Linhares.


A quadrilha foi desarticulada na última sexta-feira (2) e a prisão de cinco suspeitos foi anunciada na segunda (5). Os criminosos chegavam aos interessados principalmente pela divulgação "boca a boca". Os compradores tinham que pagar uma entrada e depois várias parcelas, com a esperança de receber um imóvel no Residencial Cidade Jardim II, no bairro Conjunto José Walter, na Capital.


"É uma associação criminosa, porque, em cima de uma 'pseudo' venda de apartamentos do programa Minha Casa Minha Vida, eles estavam angariando pessoas, vendendo a inscrição (do apartamento). Eles aproveitavam a ansiedade das pessoas com a casa própria e, de acordo com a disponibilidade financeira, já pediam o valor que podiam tirar", resume o delegado.

O prejuízo das vítimas que procuraram a Delegacia até ontem vai de R$ 500 a R$ 10 mil - o valor total ainda é desconhecido. O bombeiro hidráulico Cláudio Paiva conta que ele e a filha perderam, juntos, R$ 2,6 mil. Eles tiveram que vender um carro e contrair um empréstimo para pagar as parcelas seguintes.

"Um amigo me indicou, eu fui até uma mulher em um shopping e ela me pediu os documentos. Depois dos documentos, ela já pediu uma quantia de R$ 1,3 mil, que era a primeira parcela. Depois ficariam 20 prestações de R$ 600, e 120 (prestações) de R$ 100 depois da entrega do apartamento. Para a minha filha, seria a mesma coisa", detalha.

Segundo Jaime Linhares, o nome dos compradores não chegava à Secretaria Municipal do Desenvolvimento Habitacional (Habitafor). O assessor de gabinete do órgão, Arnóbio Gomes, informa que a Associação Realizando Sonhos não possui nenhum vínculo com a Habitafor. "No programa Minha Casa Minha Vida, você não paga nada, é gratuito. O acesso é feito mediante um cadastro nas regionais e um sorteio público é feito na Câmara Municipal, pelo prefeito", explica.

Presos

A Polícia Civil prendeu a presidente da Associação, Ana Paula Clemente da Silva, de 38 anos, e os colaboradores Sérgio Luiz Ferreira Rios Filho, 27, Wellington Fábio Lima da Costa, 27, Emerson Bento de Souza, 40, e Maria Clemilda Vasconcelos, 34. O grupo irá responder por estelionato, associação criminosa, falsificação e uso de documentos públicos e particulares, além de falsidade ideológica.

De acordo com o titular da DDF, a presidente da Associação disse que não sabia o número exato de vítimas do esquema criminoso e alegou, em depoimento à Polícia, que outros colaboradores teriam cometido um golpe contra a Instituição e estariam vendendo os apartamentos sem o conhecimento dela.

Policiais militares

Entre as vítimas do golpe, estão policiais militares. A DDF apurou que a quadrilha prometia, aos compradores, que o Bloco 17 do Residencial seria exclusivo de PMs. "A presidente da Associação dizia que tinha um bloco somente voltado para policiais militares. Com isso, as pessoas iam obter uma segurança e proteção, não ia ter invasão de facção (criminosa)", revela o delegado Jaime Linhares.

DN

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