LÍDER DO PCC ORDENAVA ATAQUES E ENVIO DE ARMAS PARA O CEARÁ

A interferência da cúpula da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), nos crimes ocorridos no Ceará, se comprovou mais uma vez, segundo investigações do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE). O órgão chegou ao nome de Célio Marcelo da Silva, o 'Bin Laden', acusado de integrar a 'Sintonia dos estados e países' do PCC, com influência nacional, e estaria ordenando uma série de ataques no Ceará.


Ontem, o MPCE deflagrou a Operação Al Qaeda, como desdobramento da 'Operação Saratoga', ocorrida em dezembro de 2017. De acordo com as investigações, o PCC estaria aumentando sua influência no Estado e ampliando o número de membros 'batizados', com objetivo de ter mais atuação dentro e fora dos presídios. As diligências foram articuladas nacionalmente dentro de uma megaoperação.

O promotor de Justiça Adriano Saraiva, do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) do Ministério Público, afirmou que o nome Al Qaeda foi dado à operação devido à participação do 'Bin Laden' do PCC. Segundo o promotor, mesmo preso desde o ano passado, Célio Marcelo permanecia interferindo diretamente na criminalidade no Estado. A última localização dele era a Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia.

"Com os ataques de janeiro, o Gaeco Ceará começou a fazer uma investigação profunda nisso e muitas destas pessoas estão sendo presas agora. Os alvos foram pessoas ligadas à facção criminosa", disse o promotor. Saraiva ainda informou que durante o cumprimento dos mandados de prisão e busca e apreensão, realizado ontem pelo órgão investigatório em Fortaleza, a mulher de 'Bin Laden' foi presa. A companheira da liderança do PCC residia no Ceará com parte da família do casal.

Envio de armas

Célio Marcelo seria o responsável por determinar o envio de armas a integrantes da facção criminosa. Nas cartas supostamente escritas por ele e interceptadas por agentes, havia a ordem de distribuição de armas de grosso calibre para Santa Catarina e Ceará.

O promotor destacou que a operação foi planejada nacionalmente pelo Genecoc (Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas). "Nós nos reunimos no início do ano e planejamos uma ação conjunta. A gente sabe hoje que essas facções estão espalhadas por todo o País e uma ação dessa magnitude iria enfraquecer essas organizações criminosas e hoje foi deflagrada em vários estados do Brasil".

O órgão informou que as diligências foram realizadas simultaneamente pelos estados do Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Rio de Janeiro. Com auxílio de forças policiais, foram cumpridos, no total, quase 300 mandados de prisão e de busca e apreensão no Brasil.

Interior

Além da Operação Al Qaeda, o MPCE também deflagrou ontem a Operação Jericó. O promotor informou que, juntando as duas operações, foram expedidos 35 mandados de prisão e 29 de busca e apreensão nas cidades de Fortaleza, Independência, Sobral, Juazeiro do Norte, Groaíras, Aquiraz, Maracanaú e Pacatuba. Segundo o órgão, além do Gaeco, as promotorias de Justiça de Juazeiro do Norte, Sobral e Independência estiveram envolvidas no trabalho.

"Tem uma parte que já estava no Sistema Prisional e outra foi presa fora do Sistema. Na (Operação) Jericó são presos do Sertão Central no Ceará que fazem parte da mesma organização criminosa. Em Juazeiro, foram cumpridos dois mandados de pessoas que não estão na prisão e uma que já estava", afirmou Saraiva.

A reportagem apurou que um dos mandados cumpridos no interior era contra um detento da Penitenciária Industrial Regional do Cariri (Pirc) e os outros contra duas mulheres que foram presas e tiveram seus celulares apreendidos. A operação 'Jericó' teve início a partir de informações fornecidas pela Coordenadoria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).

Ainda conforme o Ministério Público, foi apurado que "entre os meses de novembro de 2018 e fevereiro de 2019, os investigados praticaram uma série de crimes, principalmente tráfico de drogas, associação para o tráfico, comércio irregular de arma de fogo, planejamento de homicídios e ataques a agentes e a equipamentos públicos, tanto na capital quanto no interior do Estado". O MPCE informou que não poderia divulgar os nomes dos capturados.

DN

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