GUERRILHEIRO COLOMBIANO PRESO EM FORTALEZA SERÁ INTERROGADO PELO STF

O colombiano Guillermo Amaya Ñungo, conhecido como 'El Patrón', de 55 anos, ex-guerrilheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), será interrogado na 11ª Vara da Justiça Federal no Ceará, hoje, a partir de 10h. A audiência foi marcada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), no processo de extradição do preso para os Estados Unidos da América.

Uma juíza do STF vem a Fortaleza para ouvir 'El Patrón'. Fachin determinou, no dia 25 de novembro último, que sejam adotadas as providências indispensáveis à garantia da segurança do local de interrogatório; seja nomeado, se necessário, intérprete habilitado na língua espanhola para acompanhar a audiência; e intimada a Defensoria Pública da União para atuar na defesa do colombiano, se o mesmo não constituir advogado.

'El Patrón' está preso na sede da Superintendência Regional da Polícia Federal (PF) no Ceará, na Capital, há 78 dias. Contra ele, havia um mandado de prisão para extradição, decretado pelo STF após solicitação do governo norte-americano. No Brasil, não há indícios de atividades criminosas do colombiano. Mas nos Estados Unidos, ele é investigado por tráfico internacional de drogas. A defesa do estrangeiro não foi localizada.

Delação

A reportagem apurou que o preso já foi ouvido por autoridades norte-americanas, em Fortaleza. Há interesse do colombiano em acordar uma delação premiada. No último dia 20 de novembro, o ministro Edson Fachin solicitou informações aos Estados Unidos sobre o pedido de extradição.

Guillermo Ñungo foi detido por policiais federais no bairro Messejana, em Fortaleza, quando chegava a uma escola para buscar a filha adolescente, no dia 17 de setembro deste ano. Com o colombiano, foi apreendido um documento de identificação falso, no nome de José Jesus Rodríguez Hernandez - como se apresentava em território cearense.

A Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) do Ceará realizou a prisão após receber informações da Coordenação de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal em Brasília e do Drug Enforcement Administration (DEA; "Administração de Repressão às Drogas", em tradução livre), do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

De acordo com as investigações, 'El Patrón' entrou a pé no Brasil pelo Município de Pacaraima, na fronteira do Estado de Roraima com a Venezuela. O estrangeiro alegou que estava em Fortaleza há apenas três meses e tinha fugido da Venezuela por medo, pois teria sido sequestrado e extorquido por outros criminosos. O preso é ex-guerrilheiro das Farc e era procurado por autoridades da Colômbia e dos Estados Unidos.

Segundo a PF, ele ainda tem contato com grupos de guerrilha, principalmente na Venezuela. O detento é conhecido por enviar drogas da América do Sul para a América do Norte. A prisão do colombiano foi decretada pelo Tribunal do Distrito Leste do Texas, nos Estados Unidos, em outubro de 2009. Mesmo com a prisão decretada, em uma ação ousada, ele teria transportado 1,6 tonelada de cocaína da Venezuela para Honduras, a bordo de uma aeronave registrada nos Estados Unidos, no dia 16 de abril de 2014, conforme as apurações do DEA. Depois, a droga iria para terras norte-americanas.

DN

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